artigos de excursões sem fim nem princípio, no algo enevoado horizonte do Não, o desprezo do típico como inegável paixão..
not your average Lady , Scriptum Tremens , um ser buscando ser , Roman Veli
terça-feira, dezembro 23, 2008
quarta-feira, setembro 24, 2008
vicissitudes do ser...
não queria que isto se transformasse nisso.
refraseando
e incutindo a dialéctica
que o sono permite,
vivamos pois,
ainda que na sombra,
ainda que na cave,
na habitação projectada
que mais não é.
contemplo sereno
do alto do baralho de cartas,
desmontado,
como é insurreição da estima o projecto,
como é depressão a confiança no projecto,
como é dura limalha o lápis com que projecto,
desejoso e aspirante
até à hora da dimensão,
apenas.
rasgão no papel,
e outro, e outro,
aonde é que isto pára,
não há fim.
não há força para lamber o dedo,
não há dedo para ir buscar a força,
só um corrimão que baloiça
à beira da desilusão
e de onde fitamos a áspera sensação
de amarrotados esboços,
de decalcar voltas e voltas,
vincos de projecto,
vincos em mim
de não conseguir sentir
o vento fresco e direito da planície,
o resultado,
o próprio.
E tudo isto para plantar uma árvore...
Não vejo o princípio à floresta.
Não vejo o fim à floresta.
O emaranhado é.
Tolda.
Molda
a percepção
de um caminho.
É difícil avançar pelas silvas,
os pés descalços, enrugada a vontade...
Não vejo o fim.
Não vejo...
(está escuro.
apaguem esta inércia.
apaguem a frustração.)
Enfim...
Meio aceso o candeeiro...
Temperando a noite, o amor...
Sobra lá dentro o amor
a uma luz pouco óbvia.
sábado, agosto 23, 2008
the lost feeling
melancholy
yearning for life in dead words
silence it
refrain from it
what else is there to ignite?
ashes fall slowly
sparkles won't lighten
darkness embeds absence
absence of someone
absence of me
the song screams its chorus
but i can't fall in love
can't fall in love with life again
chords fade out
words stop to pulse
heartbeat decays
tomorrow - a weak placebo
today, night lingers
a blurred night
a blurred self
foreign sadness
as if it ain't real
as if it ain't worth it
prolonged
unspoken
dizzyingly low
the whirling fatality
of passing by
(just)
sábado, julho 05, 2008
Montanha de gente que galgo,
palpitante de solidão...
Parece que tudo se encaminha já para lado nenhum.
O tal despropósito geral das minhas capacidades.
A tal rudeza do objecto, limalha de engrenagem espalhando-se ao vento.
Inércia móvel.
Presenças desfalecidas - eclipse.
Na antemanhã da proposta, a entrega do subconsciente ao prenúncio agastante.
Terror de não haver como tornear o que foi e é labirinto.
Deserto espelhando o quente difuso dos grãos que é preciso arrastar a cada passo.
Oásis esfumando-se à distância que vai de ser a estar.
A mudança é triste.
Perde-se.
Difícil, difícil... tão difícil...
Adjectivos exauridos
e um desnível na energia.
A vontade invertida à falta de escoamento.
Grande piscina suspensa,
intramarés turbulentas
extraditadas de fora dela.
O riacho é um entretanto,
lapso na humidade
molhado de ervas,
sonhos, emoções...
Pessoa e silêncio.
Um ...
sexta-feira, abril 18, 2008
Esqueço-me e lembro-me. Sou vago.
Quem é a naturalidade em mim? Reflexão perdida à sombra do silêncio ou do outro...
E o quarto ameaçadoramente igual.
Tenebrosamente iluminado pelo dia que desponta. Espreita-se e tudo é feito. Tudo está feito. Não há lugar à descoberta. Não há lugar... para quem sou?
Calça-se a bota, e terá que servir. Ainda que os pés se molhem nos dias do vendaval.
Caminhamos, plural forçado. Couro mal engraxado, pesando a realidade a cada passo mais.
Até já, mundo cruel.
domingo, março 30, 2008
A velha teia, e a respectiva fixação pela incerteza.
A tremer de estaticidade.
O coração vago e rancoroso.
Antemanhã em nulidade absorta...
O esquecimento de despontar com os sentidos,
e a consciência revoltando-se.
Derivei hoje progressivamente,
declinando o rumo,
a estrada afundando-me em todo o seu alcatrão.
Sensação de erro absoluto...
Mas afinal,
é só um outro dia.
Valha-nos a regeneração
enquanto não formos cinza.
sábado, março 15, 2008
procuram ao caminhar
as altitudes
de escrever o vinho,
de procurar
embriagar
a incerteza de estar.
Ladram ao vento
os cães da planície
que poisa o mundo
e alisa ao fundo
da caminhada
o Sonho Apagado,
dissipação.
A côr das nuvens,
quando branca,
é a aura da montanha
que coroa
o espírito e desenha
a canoa
que dormita sem manha.
O seu adeus
é o sol posto,
os tons rubros
nostálgicamente.
Oh, linha do horizonte,
és o cais em que aporta
o silêncio de Tudo
e o som de Nada,
a quimera maíuscula
de que se vangloriam
contradizendo-se
os Neófitos...
Sorrio hoje
a tristeza íntima
dos nómadas,
alegre de passagem
na alvorada
que o Sol invoca
no coração cego
das horas.
Oh,
como choro
quieto
este país
estendido à verdade
das auroras
interiores,
este local em que sitio,
afinal,
a mentira da ocupação
que enfim adormeço
num ponto final.
Maré de palavras,
as frases soltas,
nenhuma onda
encontra a quilha...
Pedaços de vida,
museu do eu,
para que tu vejas,
para que tu vejas...
A rotunda tem música
e eu tenho regras,
há que violar
a pauta
para que nasça
a flauta.
Alegrem-se,
árvores laterais,
que a viagem
é.
(Turbilhão)
(Paz e vento)
(Oriente)
(Ocidente)
Fina flor
que desponta
no asfalto...
Vruuuum.
Semeiam sonhos
os infantes
esquecidos,
abandonados
à beira da estrada.
Congeminam maravilhas
por essas mesmas milhas
de permeio.
O esturpor,
o freio
e o rigor
procuram revoltar-se...
Mas antes,
ecoa a fibra
que tudo liga
e era a aragem
que aqui deixa uns pós
reminiscente.
quarta-feira, março 12, 2008
domingo, março 09, 2008
nos teus olhos.
(tudo a desfocar-se...)
Um fascínio natural
soergue-se do medo
e suspira a memória,
dobrada a esquina lúcida.
Encontro a criança
impossível,
intangível
nos contos que foi
o sonho ido,
o sono vivido
em serena emoção.
Percebo o que é
o sublime.
Regresso a mim
de mim.
Aguardo
a tua presença
celestial
que desnudo
utópicamente
da distância triste
que é a minha luta
contra a minha mesma
distância...
a minha mesma distância,
repito,
algo irritadamente.
Tudo isto se passa ao de leve,
no poema
de fim-de-tarde,
o coração pulsando ao de leve
as tonalidades do pôr-de-sol
e o não querer deixá-las partir
noite e sombra fora...
...o cintilante verde dos teus olhos...
...encarnação viva da eternidade...
...para lá de limiares estéticos...
...o verde suave e absoluto dos teus olhos...
...e sobretudo,
tu contida neles.
sábado, março 08, 2008
mergulhavam na fossa comum
os alcoviteiros da Liberdade.
Tenho dôr para dar. A dôr da realidade,
vertida sussurrada
ao meu ouvido incrédulo,
teimosamente surdo ao eco do espelho.
Não ultimo a concepção. Sou ligeiro,
e custa-me verificar a diferença
sem a alma que sustenta,
sem os anos segurando a rede
de que pressinto o baloiçar
hipotético
por outra dimensão.
Abafado,
o canto ergue-se de poeira,
pueril
como mais esta madrugada -
e afinal, amanhece tarde
pois as nuvens, que foram água,
que seriam correnteza,
são hoje a ditadura da sombra
por onde espreitam os murmúrios,
por onde espreita a palavra.
A mim,
indiscretos amantes do consensualismo.
Dubito-vos mas sem punhal.
Não enxergo o punhal que vos rasga a saia
de rodar
colorida de sociedade,
imposto fluxo
de energias falsas,
razões sonoras, tão somente.
Critico assim migalhas
atiradas aos pombos,
fazendo referência
a algo mais definido
que se me escoa pela mão rugosa,
esburacada à seiva do Sonho.
Escorre-me alguém que me habitava
a aspiração.
Quem era?
Ping... ping... ping...
quinta-feira, fevereiro 21, 2008
Gloriosamente só. A palavra vem e finge articuladamente, nos espaços vagos que a isso a forçam. Facilitismos, até à hora da verdade.
"Vá, e agora?"
Não pago com o espírito. Sou silente.
Vou portanto às putas.
Aos poucos se polvilha assim a possibilidade, e a tão importante sensação de continuidade. Aos poucos se firma a escassez de recursos que a solidão traz e impõe ao esforço. Aos poucos é mais nítido e seco o quadro do dia-a-dia. Nele figura um rapaz de pincel na mão, estendido num sofá, sem técnica para dar forma aos edifícios, visíveis somente os rasos alicerces da imaginação.
Pago para que algum esboço de contornos anime a paisagem de escombros. Peço tinta emprestada à proximidade. E por vezes ela existe para que sobressaia novo estímulo na construção. E por vezes, é bela a pedra de memória que se ajunta às outras pelo quadro do que passa. Como em toda a interacção.
E momentos sucedem-se a momentos. Entorno pela escrita traços e côres que são já incontornáveis, ao longo dos meses e anos. Evoco assim, como que brindando, aquelas que se dispõem à demanda por Eros, as que se aliam ao artista em moldes de almejar, aquelas que lhes inspiram o imortal sentido de divindade de que é feito o esplendor.
Às putas!
(tchin tchin)
sexta-feira, fevereiro 15, 2008
Meus amores, florescei!... As tropas pilharão esta terra, cálidas, como o Sol Nascente que a assola. Mais que tudo, mais que a Morte, hoje é o Ser, a Invasão! Letras espreitando por papiros de paisagem, procurando despojar de si as tocas, agitando-se borbulhando por este paraíso fétido. Engodos do que é, forçai a passagem pela dureza física dos portais. Desentalai-vos do círculo, atentai contra a mediocricidade, toda e qualquer!! É nascer, rebentar as águas, e transbordar portentosos legados de ânsia guerreira no primeiro chôro de uma vida.
Somos nós, portadores da palpitação; desencadeamos o Apocalipse. Não há mais - é a vida, a vida, A VIDAAAAA. E bradaremos a vitória, com um urro.
Os modernos e a popularidade (soneto sociológico)
Contemporâneos doutrinavam lantejoulas
onde antes era o clima, a aragem;
cepticismos decalcavam por argolas
o eco e o aroma da vantagem.
E a loucura intimidada profanáveis
exultando a malícia dessas vestes
de que os anjos caídos enfeitáveis,
luciferianas horas e agrestes.
O público discorre, sintomático;
obstando à luz visual sabor
uma batuta sem maestro - plateia.
Diploma de um sonho catedrático,
egocêntrico cego esplendor;
ferramenta e ego - ser sereia.
sexta-feira, fevereiro 01, 2008
terça-feira, janeiro 29, 2008
Dou a mão à palmatória. Posso apenas sublinhar o conceito de crença - pois que é tudo. (Bem como o de exagero, que é vida.)
domingo, janeiro 13, 2008
Abandonei o saco de viagem,
desisti por omissão.
Vendi-me - renúncia -
e os grilos que cantam baixinho
estão lá.
Perturbante zumbido.
Nisto, forma-se a sensação
de que estou gasto.
É todo este som sem mim
onde deveria estar
todo um conjunto de notas
a resolver as tensões
e a restituir harmonia...
Desci a mim,mas voltei a ficar calado
na escuridão feita de antecipações
que é a mensagem por mandar,
que é o número por marcar,
a suspensão indefinida.
Alguém me solta desta rede?
Mas sim, conta-me histórias.
Conta-me histórias, que o tempo é aqui...
O passo é quente e a neve funda.
E o silêncio dos cumes é belo
pois é para lá dele
que está esse canto absoluto,
essa paisagem autêntica, nova,
esse sonho translúcido,
melodia que preenche
e que não sei transcrever,
que não sei vazar.
Conta-me histórias dessas altitudes...
que eu escorro a neve intrometida nas botas
para poder escalar mais umas rochas,
para poder ouvir mais de perto,
histórias fantásticas,
mais e mais perto.
domingo, janeiro 06, 2008
Soe o relâmpago! É tempo de afundar as mãos no barro. É tempo de lhe arrancar todos os moldes, com todas as garras, e com todo o direito. Sermos de novo a música, sermos de novo o filme... Mas cantemo-la então! Representemo-lo!
E assim finde épico este apelo ao princípio.
sexta-feira, janeiro 04, 2008
E quando perguntares de que sou feito,
que deverei responder?
Talvez que sou um sonho refeito
sem de o quê saber.
Talvez que pelo mar contrafeito
seja um marujo sem ter
mais que a alma, fustigada ao parapeito
dessa vista a perder
que é o oceano, o teu leito.
Talvez que de entre as ondas e a espuma
emerja, Neptuno, a Verdade;
imponha-se a quilha à bruma
desfazendo gotas ansiedade
pela qual navega sem estrelas. Ruma,
sonhador sem rumo - saudade
de artes profundas e belas, em suma.
Estranhas distâncias que a idade
acresce à paisagem que esfuma,
ao céu de divinas texturas...
Me abandonam porém ao escrevê-la
as suas espirais, as tonturas.
Olho p'ra o alto - conhecê-la
é sentir suas áureas partituras
percorrer os ouvidos de vê-la,
difundir que as telas são duras
para agarrar as tintas dela -
que a Arte renasça em gravuras.
Que nestes confins, nos rochedos
morras em mim, eremita.
Que as forças dela galguem medos,
as forças que emana, bonita
como o musgo que cobre os penedos,
como a vida que a chuva suscita
por solos ásperos enfim ledos
após do temporal a visita.
...Sonhos que tecem seus dedos...
por novelo tendo o que trago
em ambições do passado,
aquele que me orientava, o mago
de cuja performance aliado
um desejo, não dormir o lago,
romper as marés que batem contra o enfado.
Almejar mais que eu, estando pago
o Paraíso e a Pertença. Dourado,
bebo, urgente trago,
o sol que poisa os dias
em que o pintaram forças minhas.
Laranjas tons estes dias
a recolorir forças minhas.